terça-feira, 1 de novembro de 2011

2 de Novembro: Comemoração dos Fiéis Defuntos


Neste dia ressoa em toda a Igreja o conselho de São Paulo para as primeiras comunidades cristãs: "Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros que não tem esperança" ( 1 Tes 4, 13). 

Sendo assim, hoje não é dia de tristezas e lamúrias, e sim de transformar nossas saudades, e até as lágrimas, em forças de intercessão pelos fiéis que, se estiverem no Purgatório, contam com nossas orações.

O convite à oração feito por nossa Mãe Igreja fundamenta-se na realidade da "comunhão dos santos", onde pela solidariedade espiritual dos que estão inseridos no Corpo Místico, pelo Sacramento do Batismo, são oferecidas preces, sacrifícios e Missas pelas almas do Purgatório. No Oriente, a Igreja Bizantina fixou um sábado especial para orações pelos defuntos, enquanto no Ocidente as orações pelos defuntos eram quase geral nos mosteiros do século VII; sendo que a partir do Abade de Cluny, Santo Odilon, aos poucos o costume se espalhou para o Cristianismo, até ser tornado oficial e universal para a Igreja, através do Papa Bento XV em 1915, pois visava os mortos da guerra, doentes e pobres.

A Palavra do Senhor confirma esta Tradição pois "santo e piedoso o seu pensamento; e foi essa a razão por que mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de seu pecado" (2 Mc 2, 45). Assim é salutar lembrarmos neste dia, que "a Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados" (Catecismo da Igreja Católica). 

Portanto, a alma que morreu na graça e na amizade de Deus, porém necessitando de purificação, assemelha-se a um aventureiro caminhando num deserto sob um sol escaldante, onde o calor é sufocante, com pouca água; porém enxerga para além do deserto, a montanha onde se encontra o tesouro, a montanha onde sopram brisas frescas e onde poderá descansar eternamente; ou seja, "o Céu não tem portas" (Santa Catarina de Gênova), mas sim uma providencial 'ante-sala'. 

"Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem! Amém!"

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

MIssão S. Paulo Apóstoto -Muribeca/SE


A casa de missão S. Paulo Apóstolo que fica no município de Muribeca no estado de Sergipe na Paróquia Senhor das Misecórdias cujo pároco é o Pe. Manoel Messias.
Foi aberta em 23 de outubro de 2008, atualmente desenvolvemos evangelização com: crianças do PETI, com os jovens, saímos nas escolas, formação para casais que querem receber o sacramento do matrimônio, damos assistência a sete povoados que fazem parte do território paroquial, dando também todo o nosso apoio e assistência a RCC local, com grupos de oração, e é claro com cenáculos que é o meio mais forte de evangelização que temos.
Graças a Deus a missão é fantástica e muito agitada já que tem muito a ser feito e
somos apenas três missionários.
 Como toda a nossa Comunidade nós vivemos da providência de Deus manifestada através das doações de nossos amigos e benfeitores, e somos gratas ao Senhor por sua fidelidade que em nada nos deixou faltar.







segunda-feira, 17 de outubro de 2011

LOUVE A DEUS TUDO O QUE VIVE E QUE RESPIRA


Mais uma vez Belém celebra o Círio de Nazaré com dignidade e galhardia, como corresponde às mais arraigadas e legítimas tradições do povo paraense. Percorremos rodovias e avenidas, ruas e praças, ao som dos fogos de artifício, aclamações vibrantes, cantos, sorrisos, lágrimas e gritos de louvor. A multidão era incontável em todas as partes, mais ainda no domingo do Círio. Temos ainda outros passos a percorrer os próximos dias, até concluirmos a quadra nazarena. A cada dia, a Basílica repleta de fiéis, Bispos do Brasil inteiro que pregam a Palavra de Deus, cantos e orações. Em toda a quinzena, o “departamento de colheita”, como vejo a celebração do Sacramento da Penitência. Ali, na graça do confessionário os resultados espirituais do Círio se manifestam. De fato, Nossa Senhora conduz o povo à terra da reconciliação e ao abraço amoroso do Pai, onde todos têm valor! Alternamos sons e silêncio, procissões e louvores, penitência e ação de graças. É oportuno perguntar se tudo o que vivemos é prece autêntica que sobe ao Céu.
Veio-me à mente a experiência vivida pelo rei Davi, assim descrita no segundo livro de Samuel: “Davi, cingido apenas com um manto sacerdotal de linho, dançava com todas as suas forças diante do Senhor. Davi e toda a casa de Israel conduziam a arca do Senhor, soltando gritos de júbilo e tocando trombetas. Quando a arca do Senhor entrou na cidade de Davi, Micol, filha de Saul, estava olhando pela janela. Vendo o rei Davi dançar e pular diante do Senhor, desprezou-o em seu coração. Introduziram a arca do Senhor e depuseram-na em seu lugar, no meio da tenda que Davi tinha armado para ela. Em seguida, Davi ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão na presença do Senhor. Assim que terminou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, Davi abençoou o povo em nome do Senhor dos exércitos. E distribuiu a todo o povo, a toda a multidão de Israel, aos homens como às mulheres, um pão de forno, um bolo de tâmaras e uma torta de uvas. Depois, todo o povo foi para casa. Quando Davi voltou para saudar a família, Micol, filha de Saul, foi-lhe ao encontro e disse: ‘Que bela figura fez hoje o rei de Israel, desnudando-se aos olhares das escravas dos seus servidores, como o faria um bufão qualquer!’ Mas Davi respondeu: ‘É diante do Senhor que eu danço! Bendito seja o Senhor, que me escolheu de preferência a teu pai e a toda a tua família, para tornar-me o príncipe do seu povo Israel. Diante do Senhor, eu vou pulando. Serei humilhado ainda mais, ficarei rebaixado a meus próprios olhos, mas da parte das escravas de que falas ganharei estima’. (2 Sm 6, 12-22).
Toda a nossa vida deve tornar-se louvor de Deus, pois tudo que o Senhor fez se destina à sua glória. A natureza, com suas cores, sons e movimento já louva o Senhor pelo fato de as coisas existirem. Os homens e mulheres receberam de presente a liberdade, com a qual podem decidir-se ou não pelo relacionamento com aquele que é a fonte de tudo o que existe.
Uma vida que é gerada, destinada à eternidade e à comunhão com Deus, tem seu valor inestimável, devendo ser respeitada até o ocaso natural, o que leva os cristãos a rejeitarem o desrespeito a ela que se manifesta na onda de abortos e todas as outras formas de assassinato. Causa indignação a violência reinante e o menosprezo à vida dos pequenos e pobres, inclusive a ocorrência de assaltos e ameaças nos dias que correm em nossas cidades.


Optar pela vida e pelo louvor de Deus nos levou a viver, no domingo do Círio, a experiência da partilha e da solidariedade. Parecíamos ver um mundo diferente, quem sabe uma verdadeira lição para aprendermos a ser mais irmãos. Cantavam a Deus os rostos suados, os olhares, sorrisos e lágrimas que tive a graça de aspergir. Sim, oramos com barulho ou com o silêncio, desfiamos as contas do Rosário, não nos envergonhamos de percorrer nossas ruas como o rei Davi. Trazíamos a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, aquela que a Igreja chama “Arca da Aliança”, por ter trazido ao mundo aquele que é o pastor do novo Israel de Deus, representado pelo cajado de Aarão, Jesus, Pão da Vida prefigurado no Maná das andanças do povo no deserto, aquele que é em si mesmo a Nova Lei, antes preparado pelas tábuas da Antiga Aliança. Sim, tudo foi louvor a Deus. Dançamos e cantamos diante do Senhor, acompanhados pela jovem Virgem de Nazaré.






Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém